Curatorial: Marisa Melo
A exposição propõe aproximar o público de cinco modos de se relacionar com a natureza pela construção de sentidos. O objetivo é tornar visível como a pintura ainda é capaz de reorganizar o olhar, deslocando a natureza do lugar comum e trazendo-a para um plano de atenção e elaboração.
Ao reunir Dani Xavier, Agda Morena, Júlia d’Paula, Suzanne Gomide e Lenny Hipólito, o recorte evidencia como cada artista constrói um vínculo próprio com o natural.
No trabalho de Dani Xavier, a pintura se organiza no gesto e na cor, conduzindo a uma leitura que se forma na própria construção da superfície.
Agda Morena trabalha o silêncio como linguagem, organizando a imagem a partir da contenção e da redução dos elementos.
Júlia d’Paula afirma a natureza como dado concreto, com foco no cerrado e na necessidade de manter essas imagens em circulação.
Suzanne Gomide direciona sua pintura para uma leitura mais interna, onde a natureza se aproxima de uma dimensão de ordem espiritual.
Lenny Hipólito desenvolve sua pesquisa a partir do pontilhismo, construindo a imagem por meio de pontos de cor que organizam luz, forma e profundidade, oferecendo uma leitura da natureza mediada pela estrutura da própria pintura.
No espaço expositivo, as obras são organizadas de modo a preservar cada linguagem, criando uma leitura que se constrói pelo contraste entre os trabalhos. A disposição permite perceber como cada artista resolve a pintura a partir de decisões próprias, mantendo a singularidade de cada percurso.
A exposição parte do desgaste da imagem da natureza no repertório visual contemporâneo. Ela circula em excesso, repetida e simplificada até se tornar previsível. O olhar reconhece e segue adiante. Este conjunto interrompe esse automatismo. A natureza deixa de ser confirmação e passa a exigir atenção. Cada pintura reorganiza essa relação e devolve ao olhar a responsabilidade de ver.